Vai fazer uma cirurgia plástica? Prepare-se para ficar longe do cigarro!

O uso contínuo do cigarro pode comprometer a circulação sanguínea, aumentando os riscos para o paciente durante o procedimento cirúrgico Antes de realizar uma cirurgia plástica, o médico passa aos pacientes uma série de recomendações prévias tais como exames pré-operatórios, controle de doenças pré-existentes como diabetes e hipertensão e, fundamentalmente, destaca-se a necessidade de parar de fumar. O tabagismo, por si só, é comprovadamente prejudicial. De acordo com o instituto Nacional do Câncer (INCA), 428 pessoas morrem por dia no Brasil por causa da dependência da nicotina. Entre as maiores causas estão o câncer, doença cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) decorrentes do hábito de fumar.

Pacote de riscos Devido às alterações que o hábito de fumar gera no organismo e na circulação sanguínea, as chances de complicações durante a cirurgia e no período pós-operatório se elevam substancialmente. Há vários fatores que justificam a necessidade de parar de fumar antes de realizar qualquer procedimento cirúrgico. De maneira geral, ele aumenta os riscos de complicações durante e após a cirurgia, principalmente no aparelho respiratório. Mas os riscos não param por aí. O cigarro eleva a produção de radicais livres no organismo, proporcionando o envelhecimento precoce das células. Isso vai contra o objetivo dos procedimentos de rejuvenescimento estético, por exemplo, fazendo com que os resultados não sejam tão satisfatórios. A nicotina e as toxinas provocam a diminuição no calibre dos vasos sanguíneos. Com a circulação prejudicada, a quantidade de oxigênio e nutrientes que chegam na pele é menor. Principalmente em cirurgias que demandam grande descolamento de pele, como face lifting (ritidoplastia), lipoaspiração e abdominoplastia, este fator aumenta os riscos de: necroses; deiscência (afastamento das duas partes da incisão depois de fechadas); trombose; embolia pulmonar e seroma (acúmulo de líquidos). Outros procedimentos também apresentam consequências específicas que devem ser levadas em consideração na hora de decidir realizar uma cirurgia plástica. No caso da mamoplastia, por exemplo, a aréola pode ficar mais suscetível a necrose ou abertura de pontos. Após os liftings faciais, as chances de ocorrer necrose na pele são muito maiores. É importante também parar de fumar para evitar tosse e infecções respiratórias que podem  levar a sangramentos, causar a abertura dos pontos e, dependendo complexidade da cirurgia, até causar uma hérnia. Outra consequência que o cigarro pode causar no pós-operatório diz respeito ao processo de cicatrização de feridas operatórias. O risco de ocorrer esse tipo de complicação é maior em pacientes fumantes do que em não fumantes. Isso ocorre porque pessoas que fumam apresentam nível elevado de radicais livres e reduzido de antioxidantes, especialmente vitamina C. Essencial para a síntese de colágeno, que é uma das proteínas responsáveis pela cicatrização. Assim, ao parar de fumar, o período de recuperação tende a ser mais curto. Além disso, quanto antes as feridas são cicatrizadas, mais cedo os resultados ficam perceptíveis.

Prazos Mesmo para quem não deseja parar de fumar definitivamente, é importante interromper o tabagismo no período pré-operatório para, assim, reduzir possíveis complicações e garantir melhores resultados. Em média, a recomendação é que para procedimentos de porte menor (prótese de mama por exemplo) a abstinência de tabaco inicie quatro semanas antes. Este período é suficiente para restaurar os níveis de vitamina C e colágeno no organismo e, com isso, melhorar a resposta celular inflamatória. Por este mesmo motivo, após o procedimento, é preciso ficar, pelo menos, mais um mês sem fumar. No caso de cirurgias de maior porte (abdominoplastia e ritidoplastia por exemplo), visando a prevenção de complicações pulmonares e cardiovasculares, a recomendação é que a suspensão do tabaco ocorra de dois a três meses antes da cirurgia, a fim de melhorar as vias aéreas e a perfusão (circulação da pele).


Importante: procure um cirurgião plástico especializado. Isto porque cabe a ele apresentar a importância de parar de fumar antes de uma cirurgia plástica e explicar todos os riscos envolvidos caso o(a) paciente não siga as orientações. É de fundamental importância informar o seu médico sobre o hábito de fumar. Desta forma, ele irá lhe orientar sobre a importância de suspender o tabagismo. Cada cirurgia e cada paciente demandam um tempo especifico de suspensão do tabaco. Independentemente do tipo de cirurgia plástica que será realizada, o esforço de parar de fumar trará inúmeros benefícios para a sua saúde. Inclusive, essa pode ser a oportunidade que você precisava para deixar esse hábito para sempre.

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© 2020 Dr. Marco Aurélio Guidugli - CRM-SP 115.842 - RQE 39.781